Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Dia da Europa


A Espan comemorou o Dia da Europa com a exposição Tempos de Terror, organizada pela professora Célia Prata, a projecção de um filme sobre os Campos de Concentração, analisado pelo professor António Caria Mendes e uma palestra com o neto do cônsul Aristides de Sousa Mendes, Dr António Sousa Mendes, que ajudou a perceber os motivos que o levaram a ajudar centenas de judeus a fugirem do Holocausto nazi.








Neto de Aristides de Sousa Mendes, dr António de Sousa Mendes, na Espan

Campos de concentração nazis

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Lídia Jorge



Num estilo coloquial e despretensioso, Lídia Jorge encantou o auditório.
Entre uma história e outra, falou da sua vida de estudante, de um Algarve já desaparecido, dos trabalhos que fez e da dificuldade até à publicação do primeiro livro, O dia dos prodígios.
No final, o tempo foi curto para a conversa entre a escritora e os alunos.
Obrigado, Lídia Jorge!


Domingo, 5 de Maio de 2013


Poema à Mãe

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal... 

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas (1977)

Abril com "R"

Abril com "R"

Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r de vezes dois
r de renascer trinta anos depois

Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.

Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui trinta anos depois-

Manuel Alegre